Pôr do sol - Rio Tocantins

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terça-feira, 8 de maio de 2012

OS CONTRASTES BRASILEIROS

Quinto maior país do mundo em extensão territorial, o Brasil tem dimensões continentais, que lhes proporciona uma enorme diversidade vegetal e climática. Porém o que merece destaque é a composição do quadro socioeconômico e espacial, que se caracteriza pelos contrastes no âmbito regional. O processo de colonização, a evolução das atividades produtivas, os interesses das classes dominantes e contribuíram para que grandes transformações ocorressem no território brasileiro desde o “descobrimento” até sua atual condição de sexta economia mundial, caracterizando assim um espaço integrado, mas com enormes disparidades.
Tentando uma razão histórica que justifique tais contradições, deve-se considerar o fato de o Brasil ter sido colonizado com o intuito de fornecer matérias-primas para sua metrópole e, desde o início de sua ocupação, atendia aos interesses de uma classe dominante que durante muito tempo, sediava-se na região Nordeste do país, que era a então região mais rica, povoada e desenvolvida da colônia. Antes de expandir os limites espaciais de análise, ainda no Nordeste, percebia-se uma enorme contradição na medida em que nos afastássemos da zona-da-mata, rumo ao agreste e ao sertão. Tantos contrastes podem ser explicados pelas atividades praticadas em cada porção do espaço, como o extrativismo do pau-brasil até a criação de gado, que se viu obrigada a seguir o São Francisco para priorizar as terras férteis para a lavoura canavieira no litoral.
Sempre atendendo aos interesses da elite, o Brasil passou por uma reorganização espacial com a transferência da capital da república para a região centro-sul, primeiro para o Rio de Janeiro, quando a base da economia estava na mineração e, posteriormente na produção cafeeira. Neste momento, o Nordeste, já “despontava” como região problema do país, que apresentava uma configuração socioeconômica extremamente concentrada na porção litorânea, com enormes vazios demográficos no interior.
Seguindo uma estratégia de urbanização impulsionada pela industrialização tardia pela qual passara o Brasil, nova mudança de capital federal acontece, agora para Brasília, numa tentativa de provocar a chamada “marcha para o oeste”. Constitui-se assim, o quadro de contradições que caracteriza o Brasil no âmbito social, econômico e espacial, no qual pode-se perceber a região amazônica em que predomina ainda o extrativismo, pouco povoada e economicamente fraca, o Centro-Sul como a Região “Core” do país e o Nordeste, que por ironia do destino, passou de região mais importante a região problema deste que é um país riquíssimo em todos os aspectos, exceto talvez, na distribuição dessa riqueza pelo território e seus habitantes.

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